Imagine um ambiente de revolução em Joinville(SC), nos idos de 1930. A ordem do comando, guarnecendo as entradas do alto do morro onde hoje está a magnífica catedral, era NINGUÉM ENTRA, NINGUÉM SAI”, quem tentar leva chumbo do grosso.Oswaldo Ademar Pereira, português teimoso como um alemão, não quis nem saber, se podia ou não podia, e cercado de muitos cuidados, saiu.
Não entendeu o porque daquela palmada, no tempo que a lei permitia bater em crianças, naquela quarta feira cinzenta do dia 20/08/1930. Os tiros, misturados ao seu c
horo, não eram foguetório em comemoração a sua vinda, mas a defesa encarniçada do território em conflito na chamada Revolução de 30. Quem olhar sua certidão de nascimento constatará que foi registrado em Jaraguá do Sul, mais uma artimanha de seu pai para proteger e dar segurança à família.
Cresceu como crescem todas as crianças de origem humilde. Seus pais, ela do lar, ele funcionário da rede ferroviária, nunca mediram esforços para proporcionar ao pequeno Oswaldo as condições para torná-lo cidadão honrado, honesto e trabalhado
r. Matriculado no colégio Conselheiro Mafra, completou o primário com notas em seu boletim que o colocavam sempre entre os primeiros da turma.
Ainda pequeno já revelava o gosto pelo esporte. A bola o cativava. Era visto praticando tênis, vôlei, basquete e futebol, em campos de chão ou nas quadras do quartel militar.
Aos dezessete anos podia ser visto atrás dos balcões da H Duart, uma das principais empresas comerciais de Joinville, laborando para ajudar no sustento da família.
Rapaz desenvolto e decidido, foi requisitado pelo exército, dois meses antes da idade para ‘servir o exército’. E lá estava o Oswaldo prestando serviço militar, trabalhando no departamento de identificação das forças armadas.
Granjeou a confiança de superiores e subordinados. Ao completar vinte e três anos, foi gerenciar, no Rio de Janeiro, uma unidade madereira da H Duart. Lá passou boa parte de sua juventude trabalhando, e pescando nos fins de semana na Ilha do Governador.
Em dezembro de 1953, casou com Dona Maria dos Prazeres Costeira Pereira.
É sabido que cupido escolhe as pessoas para flechar e unir os corações. Dispara certeiras setas cravando aos pares, combinando as características – beleza, fortuna, porte, desenvoltura, etc. Aqui houve um engano, pois pela lógica de
cupido, jamais o Oswaldo poderia se unir a uma moça tão linda, tão desenvolta, tão meiga e tão simpática.
Muito tempo depois se descobriu que em um dia ensolarado, em 1951, quando a jovem Maria desfrutava de um fim de semana nas areias mornas de Copacabana e Leblon, local onde cupido praticava os seus filhotes na arte de cravar as setas, um dos tiros, disparado a esmo pelo mais novo, acidentalmente uniu os dois corações, juntos até hoje.
Após a proeza de cupido mudaram-se para Curitiba, vindo a trabalhar na Construtora Gutierez Paulo Munhoz. Seu pai sempre dizia “Enquanto chove o milho cresce” e o resultado:três filhos,
duas netas, um neto, uma bisneta de três anos, a Ana Luiza, alegria da casa, e um projeto de mais um bisneto para o final do ano.
O passamento de uma pessoa querida mudou ao rumo de sua vida e em 1958, voltou para o Rio de Janeiro onde permaneceu até 1960 quando retornou a Curitiba para trabalhar nos Correios.
Sócio da AABB Curitiba(PR) a convite do Sadock, tinha como principal atividade esportiva a prática do bolão, no tempo em que as pranchas tinham vinte e três metros, o Clube Juventude Morumbi era tricampeão na modalidade grupo de casais, e dona Maria reinava como Rainha da Cidade. Era tão bom no lançamento da bola que contra a Sociedade Thalia fez 180 palitos disputando pelo Juventude Morumbi.
Apaixonado pela bola uniu-se aos jogadores de futebol da AABB Curitiba. Sócio fundador do Grupo Peladeiros pode ser visto as terças e sextas-feiras chutando a jabulani com o vigor e a experiência de seus oitenta anos. Jogando na defesa, no meio campo ou no ataque, onde são incontáveis os registros de gol de cabeça, sempre fiel aos ensinamentos do berço, respeita os mais velhos, razão por nunca ter driblado outro Joinvillense, o Ormir Bezerra, uns quatro anos mais velho, velho conhecido desde os
tempos do basquete auriverde do Guarani, e tratar com muito respeito os passes e chutes do Erasto Villa Branco, outro jogador nascido, coincidentemente, três dias depois, do mesmo mês e ano.
Nas festas, churrascos e reuniões do grupo pode ser identificado quando, em alta voz, clama por silêncio e atenção, bradando
SCHULTZ e oferecendo um gole de Bonicamp, uma bebida que, segundo ele, é salutar, fortificante com requintes afrodisíacos.
e desejamos que o BOM TREINADOR DO CÉU o mantenha em nossa seleção por muitos e muitos anos.
Sejam Felizes




