
DÉCIO FRANCISCO DE FREITAS
Nossa homenagem ao grande e inesquecível amigo peladeiro (22.10.34 , convocado para jogar na seleção do PAPAIZINHO DO CÉU, no dia de seu aniversario 22.10.10).
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Décio nasceu em Florianópolis, onde desenvolveu paixão pela tranquilidade da vida no litoral.
Aos 16 anos, deixou a casa dos pais e se matriculou na antiga Escola Técnica, em Curitiba, para cursar Edificações.
Em seguida, veio o serviço militar no CPOR (Curso Preparatório para Oficiais da Reserva), saindo como 2º. Tenente.
Passou em terceiro lugar no concurso do Banco do Brasil.
Com emprego estável, estava na hora de se casar com a menina linda que conhecera anos antes em uma “domingueira” (festa dançante dos domingos à tarde em casa de amigos).
Casou com Vilma, sua princesa e paixão de uma vida inteira.
Já casado e com a primeira filha nos braços, foi para Campo Mourão, no início da década de 1960, atuar como Fiscal da Carteira Agrícola do banco. Diversas vezes ficou preso no barro vermelho das estradas de terra ou foi recebido por proprietários rurais com arma em punho. Mas, como sempre fez, resolveu as dificuldades com inteligência e argumentação.
Voltou para Curitiba em 1963. Sua força de vontade o levou de volta aos bancos escolares para cursar Direito na Universidade Federal do Paraná, quando já tinha no colo a terceira filha.
Passou em concurso interno do Banco do Brasil para a área jurídica, onde atuou até a aposentadoria.
Décio foi presidente da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB-Curitiba), por 22 anos, dedicando-se para construir um clube de renome na cidade.
No primeiro momento sua figura tinha o aspecto de um homem austero, rigoroso, mas logo ficava evidente não se tratar de austeridade, mas de timidez.
Segundo a família, Décio era amigo dedicado, marido exemplar, pai e avô magnífico.
Nunca deixou de atender os amigos, foi o príncipe encantado de Vilma por 53 anos, e sempre levou e buscou, não importando a hora, as suas “três pedras preciosas” (como se referia as filhas)aos bailes de Carnaval, festas.
Era capaz de mover o mundo pelos netos.
Décio era leitor ávido, por isso um homem culto, capaz de versar sobre qualquer assunto e em qualquer circunstância.
Além de livros e revistas, lia dois jornais por dia. Desde que chegou em Curitiba, há mais de 60 anos, leu todas as edições da Gazeta do Povo.
Na despedida, que aconteceu no dia que comemoraria o aniversário, os amigos de Décio – que não podiam mais cantar o Parabéns – o saudaram com uma salva de palmas.
Deixa viúva, três filhos e dois netos.
Dia 22 de outubro, aos 76 anos, insuficiênica cardíaca.
Texto: Moacir Dallapalma
Gazeta do Povo, 28 de outubro de 2010.