HOMENAGENS ÀS MÃES
RESTAURANTE MEZZA NOTTE - SANTA FELICIDADE
9 DE MAIO DE 2013.
Fotos: Roseli - vejam todas as fotos clicando

Roberto Fernandes Bordin - Diretor Social
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Roberto Fernandes Bordin - Diretor Social
O que dizer para você, mãe.
(Inspirado e adaptado de um texto de
Hélio Ribeiro)
Todos os que estão aqui ou, pelo menos, a grande maioria, tem uma
enorme dificuldade para dizer o óbvio, ao cumprimentar alguém em certas
efemérides. No dia das mães, não é
diferente. O iluminado ou o poeta ainda consegue montar umas frases e acaba
transmitindo seus sentimentos de uma forma diferente do que a maioria faz, ou
seja, os cumprimentos deixam de ser mera formalidade, a mais óbvia possível.
Comigo acontece o mesmo. Na busca de algo novo, inspirei-me num texto
de Hélio Ribeiro e, com a sua permissão, ousei adaptá-lo, em parte, aos nossos
dias, para dizer-lhes as palavras que se seguem.
O dicionário está cada vez mais restrito quando se buscam adjetivos
para falar de você, mãe. Até os publicitários, conhecidos pelo uso de termos
superlativos, não conseguem incluir em suas propagandas algo como
super-protetora, mega-preocupada, hiper-ocupada, ultra- devotada ou algo do
gênero. Optaram pela simplicidade da forma: apenas mãe.
Dizer o que para você, mãe? Dizer que eu me fiz forte, bebendo você?
Dizer que me fiz homem olhando você? Dizer que eu tenho saúde porque ela veio
de dentro de você? Que a sua mão era a força que me fazia entrar na escolinha?
Que o seu colo era todo o meu mundo?
Dizer o que para você, mãe? Que eu tive ciúmes de você sem que me
desses motivos para tanto? Você pensa que não sei, mãe, mas eu descobri muita
coisa em você, você nem imaginava mas eu ficava te olhando. Eu sentia que você
gostava do papai, mesmo quando ele não estava. E me assustava quando o via
olhando para você e, sozinho, balbuciava algumas palavras que eu ainda não
entendia mas recordo muito bem: “linda”, “gostosa”, “maravilhosa”... E quando
você ficava zangada, você não transferia o seu nervosismo para os seus
filhos.
Ah! mãe, pensa que eu não sei o quanto você se sacrificou? Às vezes,
mãe, eu pensava: será que vale a pena uma mulher deixar de viver a sua vida
para viver apenas para os seus filhos? Hoje, você sabe que se precisar dos seus
filhos, você nem precisa chamá-los, basta um telefonema com uma voz meia
tristonha e todos eles virão correndo. O que que há, mãe? O que a senhora quer?
O que a senhora está precisando? A propósito, é engraçado, hoje não se usa mais
“senhora”. Já é coisa superada! Hoje, mãe é “você”!
O que dizer para você, mãe chechena, que viu seus filhos saírem pelo
mundo matando os filhos de outras mães, que apenas assistiam a uma inocente
maratona, sem que se saiba, até agora, em nome do que tal atrocidade foi
praticada? Com certeza, não foi isto que a eles ensinastes.
O que dizer para você, mãe gaúcha, que viu seus filhos saírem à noite
para se divertirem, em mais uma comemoração, normal entre jovens, e acorda
sabendo que mais de duzentos e quarenta deles não mais retornariam para os seus
lares, vitimados por um incêndio, que escancarou a incompetência de uns e a
falta de cuidado de outros com a segurança e a vida dos filhos de tantas mães?
O que dizer a você, mãe nordestina, a quem tantos filhos suplicam tão
somente um copo d'água, mas que água, se água não tem e a chuva não vem? Quer
chorar mas lágrimas também não as têm.
O que dizer para você, mãe da nossa vizinha Porto Amazonas, que neste
dia das mães não receberá o abraço da sua filha, que há um ano desapareceu e
até hoje sequer se sabe o que com ela aconteceu?
O que dizer para você, mãe! Mãe moderna, que segue seu filho nas redes
sociais, para saber com quem o mesmo está se relacionando? Ou para você que
acha o filho um empecilho, que só lhe dá trabalho e desgosto? O que dizer para
você mãe de duas ou três jornadas, que
põe em ordem o local onde trabalha mas deixa em desordem a cabeça dos seus filhos, quer pela ausência física,
quer pela ausência dos exemplos?
E o que dizer p'rá você, mãe, separada dos seus filhos pelas grades das
prisões, das drogas, das doenças, do abandono, da distância? O que dizer para você que olha uma criança ao
seu redor e não sabe o que falar, e não sabe o que lhe dar, e não sabe o que
fazer, pois assumiu uma maternidade precoce, sem sequer ter tempo para aprender
o mínimo exigido para exercer, de fato, a função de mãe?
O que dizer para você, mãe de muitos e muitos filhos, de muito e muito
trabalho, que de repente, assustando a todos aqueles que lhe ouvem, se
confessa: eu sou feliz.
O que dizer para você, mãe, que riu do ensinamento que dizia: ao
pequenino, até que cresça; ao ausente, até que volte; ao enfermo, até que cure.
O que dizer para você, mãe, que não admite ser escrava dos filhos que
já gerou mas se faz escrava da moda, de tanta coisa supérflua e banal que a
mídia nos impõe e que nos dá alguma satisfação mas não preenche, de fato, o
imenso vazio interior?
O que dizer para você, mãe dos filhos que não nascem por problemas
alheios à sua vontade e acabam assumindo, por vontade própria, a maternidade
dos filhos de outras mães que não puderam ou não mereciam ser a mãe que seus
filhos esperavam?
O que dizer para você, mulher que pode ser mãe mas evita e
assassina, eliminando do mundo aquele
que deveria ser o prolongamento do seu próprio “eu”?
O que dizer para você, mãe natureza, que idealizou o caminho perfeito,
metade o homem, metade a mulher e juntos, ambos, pelo amor, trazendo ao mundo
um novo ser, uma nova vida, a continuidade, a hereditariedade. Dizer que
você, natureza mãe, está errada?
Para o amor físico e espiritual há necessidade de um homem e uma
mulher, fora daí, é a distorção da realidade. O mesmo poder que derrubou a
inteligência da Grécia antiga e o poderio militar de Roma será capaz de
destruir esta sociedade atual: o desvio da finalidade da natureza!
O que dizer p'rá você que vive só pelos filhos e para os filhos e por
isso é criticada, e precisa se explicar para as outras mulheres, que não
entendem isto e chega a pedir desculpas por ser e agir apenas como uma mãe?
O que dizer p'rá você que poderia ser mãe duas vezes, porque agora já é avó, mas que não quer
entender que quem não ama o seu neto, perde o amor do seu filho?
Então podemos dizer: mãe, você que é a embalagem mais bonita que a
bondade divina criou, a fonte inesgotável
da vida, o nascedouro do sentimento do carinho e da ternura, não troque a certeza da felicidade
continuada, proporcionada pela sublime missão de ser mãe, com todos os seus
percalços cotidianos, causados pelos seus filhos, por alguns momentos de efêmera
felicidade, mas de pura solidão, pela ausência dos mesmos! É só isto, mãe. É só
isto!
Lembre-se que a desgraça de uma mãe é sinônimo de manchete nos
telejornais. Mas estes acontecimentos são as exceções, felizmente. Estes são os
fatos anormais! Porque o normal é aquilo que acontece ou é praticado pela
imensa maioria, aquilo que não dá manchete. É o ato simples de viver e ser
feliz. Preencher o seu tempo com as coisas simples da vida, mas que enchem de
satisfação, que proporcionam a alegria de viver, que permitem um sono
tranquilo, uma esperança no dia que virá.
Pergunte-se: eu, mulher, mãe, quero ser feliz. O que eu preciso fazer
para ser feliz? E a resposta virá do fundo de você mesma, da coerência dos seus
atos com os seus sentimentos. E é esta a orientação que você deve seguir. Só
assim você será livre de verdade. Só assim você poderá estar em paz com você
mesma. Só assim você poderá alcançar a felicidade. Desculpe-me o atrevimento,
mãe, por querer ensinar-te aquilo que de ti aprendi! Uma lembrança, apenas.
Por fim, dizer p'rá você, mãe branca, preta, amarela, gorda, magra, alta, baixa, rica,
pobre, velha, nova, de muitos ou poucos filhos: sinta-se homenageada toda vez
que ouvir: “mãezinha”, “mãezona”, “oh mãeeeeee” ou tão somente “mãe”. Que estas
palavras soem como uma melodia em seus ouvidos, pois só você tem o privilégio
de assim ser chamada. Que você seja simplesmente feliz, principalmente isto,
seja uma mãe muito feliz. Com certeza, sua luz continuará iluminando a todos!
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